História

GENTE DE PANTANAL

By 03/09/2019 novembro 7th, 2019 No Comments

GENTE DO PANTANAL
e a Epopeia dos Bandeirantes

1. A gente do Pantanal é gente forte, ousada, persistente, aventureira, amante da natureza.
O Pantanal é, sim, um quase paraíso terrestre, por suas belezas, por seus encantos, por sua diversidade e dinamismo. Mas é também um grande desafio, pelos problemas e dificuldades que as pessoas precisam saber superar.
Como em toda a parte, no Pantanal, a beleza convive com o sofrimento. Nada é fácil. Tudo exige sacrifício, criatividade, dedicação e persistência.
Viver é ser capaz de vencer desafios. “Viver é lutar”, disse o nosso poeta, Gonçalves Dias.

2. Bandeiras e Bandeirantes.
Pelo Pantanal passaram algumas grandes “Bandeiras”, no séc. XVII, na busca de metais preciosos, as riquezas que pudessem alavancar o desenvolvimento do país, que se afirmava e consolidava, com dificuldade

3. Pelo Pantanal passou a mais espetacular das Bandeiras, a Bandeira de Raposo Tavares, a partir de São Paulo.
Saindo de São Paulo, pelo Rio Tietê e Paraná, prosseguiu pelos Rios Ivinhema e Miranda (já no Pantanal); seguiu pelo rio Paraguai até Corumbá e pelo Chaco; subiu os Andes até perto de Potosi e desceu pelos Rios Quapai, Mamoré, Madeira, Amazonas, até Belém do Pará. Algo que supera a força humana…, como diria Camões. Passou pela Missão dos Jesuítas, onde vivia o Pe. Antônio Vieira, em Gupurá, quase na foz do Amazonas.
“Foi a maior e mais árdua de quantas expedições de descobrimento se realizaram em toda a América, não só até à sua época, mas ainda até aos começos do século XIX”, garante Jaime Cortesão (Obra Citada, pg. 400).
A grande expedição de reconhecimento e conquista territorial, no dizer do grande historiador Jaime Cortesão, “terá excedido, por certo e de muito, os 12.000 quilômetros”.
Foi uma grande e heroica Bandeira de conquista territorial, reconhecida no Tratado de Descoberta e Fronteiras: Tratado de Madri.
O Pantanal é um dos palcos desta extraordinária, heroica e quase impossível expedição, exaltada pelo Pe. Antônio Vieira. Esta foi parte da grande “marcha para o oeste”.

Antônio Raposo Tavares

4. A coragem e ousadia dos Bandeirantes conquistou dois terços do território do Brasil. No espaço dos Bandeirantes estão as grandes riquezas de que o Brasil, hoje, desfruta, sem saber agradecer.
Devemos à obra dos Bandeirantes, toda a riqueza que faz, hoje, o Brasil ser uma das maiores economias do mundo.
O nosso Brasil total tem duas partes bem distintas e perfeitamente unificadas:
1- O Brasil de Cabral: 33% (Tratado de Tordesilhas – 1494).
2- O Brasil dos Bandeirantes: 67% (Tratado de Madri – 1750).
Tivemos dezenas de grandes Bandeirantes. Dentre eles, destacam-se quatro: Antônio Raposo Tavares, Fernão Dias Paes e o Anhanguera Bartolomeu Bueno (em São Paulo) e Pedro Teixeira no norte, na Amazônia.

5. Com centro em Cuiabá, Miranda e Corumbá, bandeirantes palmilharam o Pantanal.
Pascoal Moreira Cabral foi o épico Bandeirante, que riquezas mil aí foi achar. Aí plantou cidades e civilização. Fundou Cuiabá (1719).
Os Bandeirantes foram geniais “plantadores de cidades”, como bem declara nosso poeta Olavo Bilac, no poema “Caçador das Esmeraldas”.
Passada a febre do ouro, muitos bandeirantes se fixaram na região do Pantanal, expandindo a criação de gado, que, até hoje, este paraíso povoa. Mas sempre traz alguma depredação a lastimar…
Ser civilizado é saber respeitar, cultivar e preservar a vida; preservar a natureza.
Quem depreda a natureza é selvagem, ainda que se julgue civilizado.

6. De fins do quinhentismo a fins do seiscentismo, estiveram em terras Goianas e Matogrossenses, grandes Bandeiras:
– A de Sebastião Martinho (1592);
– a de Domingos Rodrigues (1596);
– a de Antônio Castanho da Silva (1618-1620);
– a de Antônio Raposo Tavares (1632-1648);
– a de Luís Pedro de Barros (1660);
– a de Manuel Brandão e Gonçalo Pais (1669);
– a de Francisco Dias Minard (1680);
– a de Bartolomeu Bueno da Silva (O Anhanguera) e Antônio Pires de Campos (1680);
– a de Gaspar de Godói Colaço (1696);
Em Mato Grosso, as primeiras descobertas de ouro datam de 1734, nos rios Caxipó, Cuiabá e S. Lourenço.
– Em 1734 foi achado ouro na Chapada S. Francisco Xavier.
– Em 1737 foi encontrado ouro em Guaporé.
– Em 1756 foi encontrado ouro nas vizinhanças de Cuiabá.
O encontro do ouro marcou o povoamento de Mato Grosso e de Goiás.
Findo o Ciclo do Ouro (1764), os mineradores dedicaram-se ao Ciclo do Gado.
Em 1824, predominava a criação de gado, testemunha Hércules Florence.
Com a exploração de ouro, nasceu o Tropeirismo, como meio de transporte.

7. Bandeirantes e Tropeiros
Com a exploração de ouro, nasceu o Tropeirismo, como meio de transporte.
Os Tropeiros expandiram e consolidaram a obra povoadora dos Bandeirantes.
Os Tropeiros palmilhavam, com suas tropas todo o interior do Brasil, ocupando os novos espaços.
Como os Bandeirantes, os Tropeiros tiveram papel decisivo na expansão do nosso território.

8. Bandeirantes, Plantadores de Cidades
O nosso poeta, Olavo Bilac, deu um grande título, bem merecido, aos Bandeirantes. Chamou-lhes: “Plantadores de Cidades”.
Isto foi, de fato, um dos grandes méritos desses homens destemidos, dedicados e audaciosos.
Os Bandeirantes expandiram a civilização para o interior do território.
Até 1554, São Paulo era a única povoação Portuguesa do interior do Brasil.
Foi de São Paulo que partiram os Bandeirantes, na imensa epopeia dos sertões.
As Bandeiras, a cada espaço determinado, medido em jornadas (+ – 30 km.), deixavam um ou mais casais fazendo roças, para servir estrategicamente, como apoio da volta e de outras viagens. O rancho deixado e a criação de filhos foi o apoio posterior aos tropeiros que conduziam o ouro e levam alimentos, etc., para as minas.
Os ranchos iniciais deram origens a cidades e iniciaram a expansão do Brasil pelo incógnito sertão.

9. A Gente Pantaneira
Os habitantes típicos do Pantanal são descendentes de Bandeirantes, de tropeiros e de índios.
É um povo aguerrido, alegre e criativo, amigo do trabalho, da arte e das belezas naturais.
Veja o canto/poema de D. Aquino Corrêa, sobre os Bandeirantes:
“Marcha da nossa história, ele parte do oceano,
Para a hinterlândia imensa, o novo Éden arcano,
Em que Deus requintou os seus dons aos mortais”.

(D. Aquino Correia, in “Nossa Terra”).
O Pantanal foi um dos grandes pontos e cruzamentos de caminhos, na arrojada expansão do Brasil para o Oeste, na ousadia da gente Bandeirante.
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Obras citadas:
1) Jaime Cortesão – Raposo Tavares e a Expansão do Território do Brasil, MEC, Rio de Janeiro, 1958.
2) Dom Aquino Corrêa – Terra Natal, Ed. Imprensa Nacional, Rio, 1940.
3) Olavo Bilac – Caçador das Esmeraldas.

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